Game of Thrones | Quem é o Príncipe Prometido? - Multiversos
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Grandes obras como ‘As Crônicas de Gelo e Fogo’, popularmente conhecida como ‘Game of Thrones’ (‘A Guerra dos Tronos’), deixam pequenas pistas no seu decorrer de forma a fazer com que seus leitores possam rastrear informações sem que tudo precise ser jogado na sua cara claramente exposto ou dito de forma mastigada por apenas um personagem. “O diabo mora nos detalhes”, diz o provérbio alemão.

Seguindo estas pistas, vários leitores ao longo dos anos vão tecendo tramas intrincadas sobre vários pontos da obra de George R. R. Martin: “Quem é a mãe de Jon Snow?”, “Por que Tyrion possui um olho púrpura?”, “Syrio Forel e Jaqen H’Ghar são a mesma pessoa?”, “Por que não chamam a família Frey apenas de ‘Os Fêi’?”.

No entanto, nenhuma especulação é tão levantada entre os fãs de ‘Game of Thrones’ quanto: “Quem é o Príncipe Que Foi Prometido?”

Uma postagem da página do facebook Serpentes da Areia, traz o texto do administrador e fã da obra de Martin, Matheus Marques, com uma teoria extremamente bem embasada sobre a real identidade do Príncipe Prometido. Com a permissão dos administradores da página nós trazemos a teoria, na íntegra, abaixo:


Porque Daenerys é, (quase) com certeza, o Azor Ahai

(Esse texto usará como base todos os livros escritos por George R. R. Martin sobre o seu universo e informações/argumentos que li em outros lugares e achei coerentes. Embora Daenerys seja uma das minhas personagens preferidas de ASOIF [‘A Song of Ice and Fire’ ou ‘As Crônicas de Gelo e Fogo’, e português], esclareço que a minha crença nela como Azor Ahai renascido não é fruto de um favoritismo pela personagem e, sim, a conclusão que eu cheguei através da análise das informações fornecidas pelo autor até o momento.)

Para falarmos sobre o Azor Ahai, é necessário primeiramente saber quem é ele. Azor Ahai, de acordo com as lendas, foi um herói que viveu durante a Longa Noite e lutou contra a escuridão, vencendo-a por fim. Nos livros de ASOIF ele é primeiramente mencionado em ‘A Fúria dos Reis’, no pov de Davos, por Melisandre.

“– Nos livros antigos de Asshai está escrito que chegará um dia, após um longo Verão, em que as estrelas sangrarão e o bafo frio da escuridão cairá, pesado, sobre o mundo. Nessa hora de terror um guerreiro retirará do fogo uma espada em chamas. E essa espada será a Luminífera, a Espada Vermelha dos Heróis, e aquele que a pegar será Azor Ahai renascido, e a escuridão fugirá perante ele – e levantou a voz, para que fosse ouvida pela tropa ali reunida. – Azor Ahai, o amado de R’hllor! O Guerreiro da Luz, o Filho do Fogo! Avance, a sua espada o espera! Avance, e tome-a em sua mão!” (‘A Dança dos Dragões’, cap 10)

Melisandre, por contra própria e independente dos demais sacerdotes vermelhos, decidiu procurar Stannis Baratheon após vê-lo em suas visões. Ela interpretou Pedra do Dragão como o local de fumaça e sal de que a profecia (que será em breve citada) falava e foi procurá-lo.

Mais informações sobre Azor Ahai são dadas a seguir no mesmo capítulo por Salladhor Saan, que conta para Davos a lenda envolvendo a forja da espada do AA [Azor Ahai], que a profecia previa que iria ser novamente retirada das chamas por esse herói renascido.

“Conhece a lenda sobre a forja de Luminífera? Vou contá-la. Era num tempo em que a escuridão caíra, pesada, sobre o mundo. Para enfrentá-la, o herói tinha de ter uma lâmina de herói, ah, como nenhuma que já tivesse existido. E assim, durante trinta dias e trinta noites, Azor Ahai trabalhou sem dormir no templo, forjando uma lâmina nas fogueiras sagradas. Aquecer, martelar e dobrar, aquecer, martelar e dobrar, ah, sim, até a espada ficar pronta. Mas, quando a mergulhou na água para temperar o aço, ela se partiu em pedaços. Como era um herói, não era do seu feitio desistir e ir atrás de excelentes uvas como estas, e, portanto, recomeçou. Da segunda vez levou cinqüenta dias e cinquenta noites, e essa espada parecia ainda melhor do que a primeira. Azor Ahai capturou um leão, para temperar a lâmina mergulhando-a no coração vermelho da fera. Mas mais uma vez o aço se estilhaçou e se dividiu. Grande foi sua aflição e grande foi seu desgosto, pois sabia o que tinha de fazer. Trabalhou na terceira lâmina durante cem dias e cem noites e, enquanto ela brilhava, incandescente, nas fogueiras sagradas, chamou a mulher. “Nissa Nissa” disse-lhe, pois era esse o seu nome, “Desnude o peito, e fique sabendo que a amo mais do que a qualquer outra coisa no mundo”. Ela obedeceu, não faço idéia do porquê, e Azor Ahai enfiou a espada fumegante no seu coração vivo. Diz-se que o grito de angústia e êxtase que ela soltou abriu uma fenda no rosto da lua, mas seu sangue, sua alma, sua força e sua coragem penetraram no aço. Esta é a lenda sobre a forja da Luminífera, a Espada Vermelha dos Heróis.”

Esse herói, então, lutou contra a escuridão e venceu, salvando a humanidade. A Longa Noite é mencionada em lendas de diversos lugares de Essos, embora o modo como essa escuridão chegou ao fim não seja um consenso, e em muitos deles é falado de um herói que lutou contra essa escuridão – heróis com nomes diferentes mas que podem muito bem ser a mesma figura. Essa escuridão também é mencionada em Westeros e as lendas ali também concordam que foi um herói que venceu tal escuridão, embora não se possa dizer se ele se trata de Azor Ahai.

“Também está escrito que há anais em Asshai sobre tal escuridão, e sobre um herói que lutou contra ela com uma espada vermelha. Dizem que seus feitos se deram antes da ascensão de Valíria, nos tempos primordiais quando a Velha Ghis começava a formar seu império. Essa lenda se espalhou a oeste de Asshai, e os seguidores de R‘hllor afirmam que esse herói se chamava Azor Ahai, e profetizaram seu retorno. No Compêndio de Jade, Colloquo Votar relata uma lenda curiosa de Yi Ti, que afirma que o sol escondeu seu rosto da terra por toda a vida, envergonhado de algo que ninguém jamais descobriu, e que este desastre foi revertido graças aos feitos de uma mulher com uma cauda de macaco.” (‘O Mundo de Gelo e Fogo’, A Longa Noite)

“Quanto tempo a escuridão durou nenhum homem pode dizer, mas todos concordam que foi só quando um grande guerreiro ? conhecido como Hyrkoon, o Herói, Azor Ahai, Yin Tar, Neferion e Eldric Caçador de Sombras ? surgiu para dar coragem à raça dos homens e liderar os virtuosos em batalha com sua espada brilhante Luminífera que a escuridão foi condenada à derrota, e a luz e o amor retornaram mais uma vez ao mundo.” (‘O Mundo de Gelo e Fogo’, Os Ossos e Além: Yi Ti)

“No Norte, falam sobre o último herói que buscou ajuda dos filhos da floresta, com seus companheiros o abandonando ou morrendo um a um enquanto enfrentavam gigantes vorazes, servos gelados e os próprios Outros. Sozinho, ele finalmente encontrou os filhos, apesar dos esforços dos caminhantes brancos, e todas as histórias comprovam que este foi um momento de virada. Graças aos filhos da floresta, os primeiros homens da Patrulha da Noite se uniram e foram capazes de lutar – e vencer – a Batalha da Aurora: a batalha final que acabou com o inverno sem fim e mandou os Outros de volta ao norte congelado.” (‘O Mundo de Gelo e Fogo’, A Longa Noite)

É profetizado o retorno de Azor Ahai pelos sacerdotes de R’hllor que o tem como uma figura messiânica. Eles creem que uma nova escuridão cairá sobre a terra em certo momento e que esse herói ressurgirá para novamente lutar contra ela e salvar a humanidade. Segue a profecia que prevê o renascimento de Azor Ahai:

“Quando a estrela vermelha sangrar e as trevas aumentarem, Azor Ahai renascerá entre fumaça e sal para despertar os dragões da pedra.” (‘A Dança dos Dragões’, cap 49)

Vemos, portanto, que Azor Ahai foi um herói lendário que venceu a escuridão e que teve a volta profetizada para vencê-la novamente, quando ela retornasse. Ele viria ao mundo renascido entre fumaça e sal quando a estrela vermelha sangrasse para acordar os dragões de pedra.

Outro fato interessante a se mencionar é que nos livros nos é dada uma informação de que foi profetizada por uma bruxa dos bosques que o Príncipe Prometido viria da descendência de Aerys II e Rhaella Targaryen, e que, por esse motivo, seus pais os obrigaram a se casar. A bruxa dos bosques é revelada posteriormente como sendo, ninguém menos, que a Fantasma de Coração Alto, com quem Arya Stark se encontra no terceiro livro. Ela é, provavelmente, associada a magia dos Filhos da Floresta e, até o momento, suas previsões foram infalíveis.

“– Vi o casamento de seu pai e sua mãe também. Me perdoe, mas não havia carinho ali, e o reino pagou caro por isso, minha rainha.
– Por que se casaram se não amavam um ao outro?
– Seu avô ordenou. Uma bruxa do bosque dissera para ele que o príncipe prometido nasceria da linhagem deles.”
(‘A Dança dos Dragões’, cap 30)

Portanto, esses são os requisitos relacionados ao Azor Ahai e seu renascimento:

  1. O término de um longo verão (o último verão durou dez anos e foi o mais longo já registrado na história de Westeros);
  2. O aumento da força das trevas/o bafo frio da escuridão/a Longa Noite;
  3. Uma estrela sangrando;
  4. Renascimento entre fumaça e sal;
  5. Despertar os dragões de pedra;
  6. Vir da descendência de Aerys e Rhaella Targaryen;
  7. Retirar do fogo uma espada em chamas, chamada Luminífera.

Alguns outros apontamentos são feitos sobre esse herói ao longo dos livros:

1- Benerro nos diz que ele fará um mundo novo

“– Benerro enviou a palavra de Volantis. A vinda dela é o cumprimento de uma antiga profecia. Da fumaça e do sal ela nascerá, para fazer um mundo novo. Ela é Azor Ahai retornado… e o triunfo dela sobre a escuridão trará um verão sem fim… a morte dobrará os joelhos, e aqueles que morrerem lutando pela causa dela renascerão.” – ‘A Dança dos Dragões’

2- Aemon nos diz que pode ser um príncipe ou uma princesa devido a fluidez da língua

“— Ninguém nunca pensou em uma garota, — disse ele. — Foi um príncipe que nos prometeram, não uma princesa… Quão estúpidos fomos! Nos achávamos tão sábios. O erro veio da tradução. Os dragões não são machos nem fêmeas. Eles são agora um e agora o outro, tão mutáveis como as chamas. A linguagem nos enganou por mil anos.”

Agora, que temos as informações sobre esse herói, quem foi e quais as condições de seu renascimento no mundo de acordo com as profecias, vamos analisar os possíveis candidatos a ele:

Stannis Baratheon

Melisandre acredita inicialmente que Stannis Baratheon era o Azor Ahai, porém, vemos ao longo dos livros que sua crença foi baseada em premissas totalmente falsas e que não há nada que aponte para Stannis Baratheon como Azor Ahai.

Melisandre acredita que Stannis é o Azor Ahai devido ao fato de estar em Pedra do Dragão, que ela considera ser o local de fumaça e sal em que o Azor Ahai nasceria. Entretanto, tem um problema com essa teoria: Stannis é um Baratheon e não nasceu em Pedra do Dragão mas, sim, em Ponta Tempestade. Ele era apenas lorde do castelo naquela época, cumprindo as ordens de seu irmão, Robert. Portanto, ele não renasceu entre fumaça e sal.

“– Ele não está morto. Stannis é o escolhido do Senhor, destinado a liderar a luta contra a escuridão. Vi isso em minhas chamas, li nas antigas profecias. Quando a estrela vermelha sangrar e as trevas aumentarem, Azor Ahai renascerá entre fumaça e sal para despertar os dragões de pedra. Pedra do Dragão é o lugar de fumaça e sal.
Jon já ouvira tudo isso antes.
– Stannis Baratheon era o Senhor de Pedra do Dragão, mas não nasceu ali. Nasceu em Ponta Tempestade, como seus irmãos.”
(‘A Dança dos Dragões’, cap 49)

Além do fato de que Melisandre acredita que poderia matar Edric Storm e usar seu sangue para ressuscitar os dragões de pedra, porém ela ignora o fato de que os dragões já retornaram ao mundo.

Por fim, Meistre Aemon percebe no ‘Festim dos Corvos’ que a espada de Stannis não emanava calor e, ao saber que os dragões tinham voltado ao mundo, conclui que Stannis não é Azor Ahai.

“Diga a eles. A profecia… O sonho do meu irmão… Melisandre interpretou mal os sinais. Stannis… Stannis tem um pouco do sangue de dragão. Seus irmãos fizeram o mesmo. Rhaelle, a filha de Egg… mãe de seu pai… ela costumava me chamar de tio meistre quando era apenas uma garotinha. Lembrei-me que, assim que me permiti ter esperança… talvez eu quisesse… todos nós nos enganamos, quando queríamos acreditar em algo. Melisandre foi a que mais se enganou, esta é a espada errada, ela tem que saber… luz sem calor… um glamour vazio, esta é a espada errada, a luz falsa só pode nos aprofundar ainda mais na escuridão.” (‘O Festim dos Corvos’, cap 35)

Fica, portanto, claro que Stannis não se encaixa em nenhum requisito da profecia. E, embora tenha, sim, sangue Targaryen, nenhuma profecia nos diz nada sobre sangue Targaryen, ela faz referência a uma linhagem Targaryen específica que é a vinda de Aerys II e Rhaella. Stannis não descende deles.

Jon Snow

Outro possível candidato a Azor Ahai seria Jon Snow. Eu vejo o Jon como o arquétipo perfeito para ser Azor Ahai, e o mais clichê de todos: ele é o personagem honrado, altruísta, que está diretamente ligado a luta contra os Outros, é um líder nato e um bom espadachim, e tem desde o começo dos livros o bem da humanidade como objetivo. Para muitos isso torna provável que ele seja então o Príncipe Prometido mas, para mim, isso só o torna o mais improvável. Martin já deixou claro o quanto odeia clichês, o quanto abomina a dictomia óbvia “bem vs mal”, e tenta ao longo das ‘Crônicas’ desconstruir, ou pelo menos minimizar, os clichês e esteriótipos clássicos das obras de fantasia. Colocar o Jon como Azor Ahai apenas iria fazer com que ele fosse o clássico arquétipo messiânico, contradizendo tudo que o Martin vem fazendo e falando até o momento.

No entanto, apenas isso não é suficiente para descartar a hipótese de Jon Snow como Azor Ahai, portanto, vamos analisar a teoria que tenta colocar ele nesse papel.

Normalmente se diz que a profecia se cumpriu em Jon Snow quando ele morreu pelas mãos da Patrulha da Noite. De acordo com a teoria, a estrela que sangraria seria o manto de Sor Patrek da Montanha do Rei que foi morto por Wun Wun, a fumaça seria o vapor que saía de suas feridas e o sal seriam as lágrimas de Bowen Marsh ao esfaqueá-lo.

Essa teoria, entretanto, tem alguns problemas:

1- Jon Snow não estava aí renascendo, ele estava morrendo. Caso sua ressurreição ocorra nos livros (o que acho, sim, provável), não sabemos em quais circunstâncias ela se dará para sabermos se ele vai cumprir a profecia. Pode acontecer de a ressurreição ocorrer entre fumaça e sal enquanto uma estrela vermelha sangra? Pode. Mas não aconteceu e, até o momento, nada nos indica que vá. Lembrando que o cometa vermelho já não está mais visível em Westeros, conforme nos é mostrado em ‘A Dança dos Dragões’.

“Quando Davos tentara assegurar-lhe que obteria o seu pagamento, Salla explodira. 
— Quando, quando? Amanhã, na lua nova, quando o cometa vermelho voltar a aparecer?”
(‘A Dança dos Dragões’, cap 9)

2- Outra coisa que não faz sentido é a suposta teoria da estrela que sangra fazer referência ao manto de Sor Patrek. Pra começar que Martin sequer se dá ao trabalho de especificar que as estrelas do manto dele ficaram vermelhas, isso é concluído. Ela faz menos sentido ainda quando se leva em conta que o personagem e o símbolo são inseridos na história apenas por uma aposta entre George R.R Martin e seu amigo Patrick St. Denis. As estrelas azuis de seu brasão faziam parte da aposta e têm como inspiração o time de futebol americano Dallas Cowboys, time que Patrick torce. É insensato pensar que o cumprimento de uma profecia iria se dar pelo manto de um personagem que, tanto ele, como seu símbolo, aparecem nos livros de forma não-planejada. Principalmente levando em conta que o Martin colocou a porra de um cometa vermelho no céu que é mencionado por todos os personagens durante todo o segundo livro.

3- Jon Snow não acordou os dragões de pedra. A profecia nos diz claramente que os dragões de pedra seriam acordados pelo Azor Ahai no momento de seu renascimento. Entretanto, não temos indício de que Jon Snow fez ou irá fazer isso. E os dragões já haviam retornado ao mundo. Pode-se argumentar que a profecia, nesse ponto, não seja literal e, de fato, pode não ser, mas de que maneira figurativa vocês sugerem que o Jon cumpriu ou cumprirá a profecia? Porque eu, sinceramente, não vejo nenhum.

Apesar de tudo isso, existem algumas coisas que eu acredito que pareçam menos forçadas e mais coerentes, e que, realmente, podem apontar para Jon Snow como Azor Ahai, embora esteja longe de ser forte o suficiente para concluir que ele realmente o seja:

a) Quando Melisandre pede para que o Senhor da Luz lhe mostre Azor Ahai, tudo que ela vê é Snow. A palavra está em letra maiúscula nos livros e, portanto, disso tira-se a conclusão de que não se refere a neve mas, sim, a Jon Snow. Bom, isso sempre me deixou um pouco confuso porque, mais a frente, Melissandre conta a Jon Snow que pedia para ver Stannis e só via “snow”, no entanto dessa vez a palavra aparecia em letra minúscula. Talvez pelo fato de que seja um pov dele, enquanto o primeiro era um pov dela, e por ele não saber que a referência era a ele próprio, acabou entendendo que era neve, e por isso ficou em letra minúscula. No entanto, ela podia simplesmente dizer “eu vejo você”. Bem, poderia, mas ela também poderia claramente estar confusa e decidir não revelar isso. É uma possibilidade que deve ser admitida, e eu particularmente acredito que, de fato, ela viu Jon Snow nas chamas. Mas isso significa necessariamente que ele é Azor Ahai? Longe disso. No mesmo pov Melisandre pede para ver diversas coisas, entre elas o Azor Ahai. Nós temos exemplos durante os livros de que Melisandre não vê o que ela quer e sim o que ela precisa. Em certos momentos ela nem sequer pede para ver Azor Ahai, e sim especificamente para ver Stannis. No entanto, a visão que aparece para ela é a de caras sem olhos fitando-a e torres junto ao mar, entre outras visões aleatórias. Vejam:

“Mostre-me Stannis, Senhor, rezou. Mostre-me o seu rei, o seu instrumento. Visões dançaram na frente dela, douradas e escarlates, tremeluzentes, formando-se, derretendo e dissolvendo-se umas nas outras, formas estranhas, aterrorizadoras e sedutoras. Viu de novo as caras sem olhos, fitando-a com órbitas chorando sangue. Depois as torres junto ao mar, ruindo quando a maré negra se ergueu para varrê-las, subindo das profundezas. Sombras com a forma de crânios, crânios que se transformavam em névoa, corpos unidos em luxúria, contorcendo-se, rolando, esgatanhando-se. Através de cortinas de fogo, grandes sombras aladas rodopiavam num duro céu azul.” (‘A Dança dos Dragões’, pov Melisandre)

Logo depois, ela também pede para ver a menina a cavalo que vinha para Winterfell, que ela julgava inicialmente tratar-se de Arya Stark mas depois é mostrado que se enganou. Ela, no entanto, novamente não tem a visão que pede e, aparentemente, vê Bran nas chamas. Vejam:

“A menina. Tenho de voltar a encontrar a menina, a menina cinzenta no cavalo moribundo. Jon Snow esperaria isso dela, e em breve. Não seria suficiente dizer que a menina estava em fuga. Ele iria quer mais, iria querer o quando e o onde, e ela não tinha isso para lhe dar. Só vira a menina uma vez. Uma menina cinzenta como cinza, e ainda eu observava já ela se desfazia e era soprada para longe. Um rosto tomou forma dentro da lareira. Stannis?, pensou, só por um momento… mas não, aquelas não eram as suas feições. Um rosto de madeira, de um branco de cadáver. Seria aquele o inimigo? Um milhar de olhos vermelhos flutuaram nas chamas que se erguiam. Ele está a ver-me. A seu lado, um rapaz com uma cara de lobo atirou a cabeça para trás e uivou.” (‘A Dança dos Dragões’, pov Melisandre)

Fica claro, portanto, que Melisandre não vê o que pede mas, sim, o que precisa ver. Ela viu Jon Snow simplesmente porque ele estava correndo o perigo iminente de ser morto pelos seus irmãos juramentados, e ela é alertada desse perigo nas suas visões. Portanto, embora possa, sim, ser que R’hllor tenha mostrado Jon Snow porque queria que ela soubesse que ele era o Azor Ahai, isso ainda não é algo certo e, portanto, um argumento ainda fraco para provar isso.

b) Lyanna Stark e Rhaegar Targaryen

Esse é o motivo que mais me faz admitir que talvez haja a possibilidade, mesmo que remota, de Jon Snow ser o Azor Ahai. E por que isso? Bem, vocês engoliram aquela fanfic de que o Rhaegar largou sua esposa e seus filhos, incluindo o Aegon que ele considerava ser o Príncipe Prometido, causou uma guerra e sua própria morte simplesmente porque ele e Lyanna se apaixonaram? Bom, eu não.
Rhaegar Targaryen por muito tempo acreditou ser ele o Príncipe Prometido, ele levava essa profecia demasiadamente a sério. Nos é revelado que ele preferia os livros às espadas, mas por conta dessa profecia aprendeu a lutar.

“– Quando criança, o Príncipe de Pedra do Dragão era extraordinariamente dado à leitura. Começou a ler tão cedo que os homens diziam que a Rainha Rhaella devia ter engolido alguns livros e uma vela enquanto ele estava em seu ventre. Rhaegar não tinha nenhum interesse pelas brincadeiras das outras crianças. Os meistres ficavam assombrados com sua inteligência, mas os cavaleiros do pai trocavam gracejos amargos sobre Baelor, o Abençoado, ter renascido. Até que um dia o Príncipe Rhaegar encontrou algo em seus pergaminhos que o mudou. Ninguém sabe o que pode ter sido, só se sabe que o garoto apareceu no pátio uma manhã, no momento em que os cavaleiros vestiam as armaduras. Foi direito a Sor Willem Darry, o mestre de armas, e disse: “Vou precisar de espada e armadura. Parece que tenho de ser um guerreiro.” (‘A Tormenta de Espadas’, pov Daenerys)

Depois de crescido, Rhaegar deixa de acreditar que é o Azor Ahai mas então passa a acreditar que esse seria seu filho, Aegon Targaryen.

“Rhaegar, pensava eu… a fumaça era do incêndio que devorou Solarestival no dia de seu nascimento, o sal vinha das lágrimas derramadas por aqueles que morreram. Ele partilhou minha crença quando era novo, mas mais tarde persuadiu-se de que seria o filho a cumprir a profecia, pois um cometa foi visto no céu de Porto Real na noite em que Aegon foi concebido, e Rhaegar tinha certeza de que a estrela sangrando era um cometa.” (‘O Festim dos Corvos’, pov Samwell Tarly)

Na Casa dos Imortais, Daenerys tem uma visão em que Rhaegar Targaryen se mostra convencido de que seu filho Aegon é o Príncipe Prometido, entretando, ele não está satisfeito. Rhaegar quer mais um filho porque “o dragão tem três cabeças”.

“— Fará uma canção para ele? — a mulher perguntou.
— Ele já tem uma canção. E o príncipe que foi prometido, e é sua a canção de gelo e fogo — ergueu o olhar quando disse aquilo, e seus olhos encontraram os de Dany, e pareceu que a via ali em pé através da porta. — Terá de haver mais um — ele disse, embora Dany não soubesse dizer se estava falando para ela ou para a mulher na cama. — O dragão tem três cabeças — dirigiu-se ao banco da janela, pegou uma harpa e seus dedos correram com leveza sobre as cordas prateadas”.
(‘A Fúria dos Reis’, pov Daenerys)

Acho importante fazer uma rápida menção ao fato de que na visão, quando Rhaegar fala do Príncipe Prometido, seus olhos encontram os de Daenerys e ela tem a impressão de que ele podia vê-la. Seria isso uma referência a ela como Azor Ahai? Bem, acredito que sim. Mas vamos voltar para Jon, Rhaegar e Lyanna que é o que interessa nesse momento. Além da menção a gelo e fogo, Rhaegar fica convencido de que precisa ter um novo filho. O problema é que Elia não pode lhe dar um. Os meistres haviam alertado que ela podia morrer se tivesse um novo filho. Rhaegar então encontra Lyanna no Torneio de Harrenhal pela primeira vez e, ao vencer o Torneio, coroa a Rainha do Amor e da Beleza. Por que ela e não sua esposa? Estaria, assim, já tão apaixonado por alguém que mal conhecia? Logo depois do Torneio, Lyanna foi aparentemente raptada por Rhaegar e aí tudo começou.

Queria Rhaegar mais um filho apenas? Acreditou ele que o terceiro filho seria uma das três cabeças de dragão do seu irmão? Ou ia além disso? Será que ele acreditava que Lyanna representava o gelo e ele o fogo, e que deles viriam o Príncipe Prometido? Bem, apenas podemos especular sobre isso. No entanto, obcecado como era com a profecia, eu particularmente acredito, sim, que o relacionamento dele com Lyanna estava baseado nas crenças dele sobre isso.

A questão porém é que Rhaegar acreditar que Jon fosse o Azor Ahai, não torna isso verdadeiro. Ainda que seja provado que Rhaegar, de fato, compartilhava essa crença, isso ainda não a torna verdadeira. Afinal, o próprio Rhaegar já tinha se enganado antes em relação a ele mesmo e a seu outro filho. Seria apenas mais um erro. Além de que, apesar de toda essa coisa de “gelo e fogo”, Martin já deixou bem claro que esse título faz mais referência a luta contra os Outros, que são os que realmente representam o gelo, do que a um personagem. Gelo e Fogo podem ser interpretados de várias formas que fazem mais sentido: Humanos vs Outros, Dragões vs Outros, e por aí vai. Martin mesmo já mencionou esses exemplos como significados do nome da saga. E Jon parece estar muito mais relacionado ao elemento gelo do que ao fogo. Ele passa toda a saga no Norte e Além da Muralha, seus povs estão mais relacionados a essas áreas. Acredito que Daenerys estaria muito mais relacionada ao fogo do que ele.

c) Por último, um argumento a favor de Jon Snow que eu gostaria de mencionar, é o capítulo em que ele sonha que luta com os Outros. Sabemos que alguns sonhos são mais que sonhos em ASOIF, e portanto parece algo que devemos mencionar aqui. Vejamos o trecho:

“Naquela noite, sonhou com selvagens berrando da floresta, avançando com o choro dos berrantes de guerra e o rufar de tambores. Bum BUM bum BUM bum BUM, veio o som, como mil corações em uma única batida. Alguns tinham lanças, alguns tinham arcos e alguns carregavam machados. Outros andavam em carruagens feitas de ossos, puxadas por grupos de cães tão grandes quanto pôneis. Gigantes arrastavam-se pesadamente entre eles, doze metros de altura, com marretas do tamanho de carvalhos. – Permaneçam firmes – Jon Snow exortou. – Vamos mandá-los embora. – Estava no topo da Muralha, sozinho. – Fogo – gritou –, joguem fogo neles –, mas não havia ninguém para prestar atenção.
Todos se foram. Eles me abandonaram.
Flechas incendiárias assobiaram para cima, arrastando línguas de fogo. Irmãos espantalhos caíram, seus mantos negros em chamas. Snow, uma águia gritou, enquanto inimigos escalavam o gelo como aranhas. Jon estava com uma armadura de gelo negro, mas sua lâmina queimava vermelha em seu punho. Conforme os mortos chegavam ao topo da Muralha, ele os enviava para baixo, para morrer novamente. Matou um ancião e um garoto imberbe, um gigante, um homem magro com dentes afiados, uma garota com grossos cabelos vermelhos. Tarde demais, reconheceu Ygritte. Ela se foi tão rápido quanto aparecera.
O mundo se dissolveu em uma névoa vermelha. Jon esfaqueava, fatiava e cortava. Atingiu Donal Noye e tirou as vísceras de Dick Surdo Follard. Qhorin Meia-Mão caiu de joelhos, tentando, em vão, estancar o fluxo de sangue do pescoço.
– Sou o Senhor de Winterfell – Jon gritou. Robb estava diante dele agora, o cabelo molhado com neve derretida. Garralonga cortou sua cabeça fora.”
(‘A Dança dos Dragões’, pov Jon)

Bem, isso pode, de fato, ser um sonho profético, mas também pode não ser. Todas essas coisas citadas já estavam gravadas no subconsciente de Jon, o conflito com os selvagens, com os Outros, as menções de Melisandre à Luminífera e etc. Jon Snow começa matando os selvagens, o que pode representar a traição dele aos selvagens quando escolheu a Patrulha. Mais tarde, porém, ele percebe que os selvagens não são o verdadeiro inimigo e começa a lutar contra os Outros. Ele agora está sozinho porque foi assim que ele ficou ao decidir deixar os selvagens entrar no reino e quando toma a decisão de salvar os que estão em Durolar contra a vontade de seus Irmãos Juramentados. Ele é assombrado pela morte de Ygritte, pois se considera responsável por ela. E quanto ao resto do sonho, uma vez li uma teoria bem coerente de que ele representava como ele iria voltar dos mortos. Bem, Jon está lutando contra os Outros quando, de repente, o mundo se dissolve numa névoa vermelha e então ele está lutando contra seus Irmãos da Patrulha. Seria isso uma representação dos que ele irá matar quando voltar a vida pela sua traição? E quanto a Robb, quando diz que era Senhor de Winterfell e então tem sua cabeça cortada? Bem, Jon sempre desejou Winterfell, mas recusou quando Stannis a ofereceu para ele. Seria um indício de que agora ele a aceitará? Talvez um indício também da suposta carta em que Robb legitima ele e o nomeia seu herdeiro? Bom, não sabemos. Resta esperar. A questão é que, se fosse apenas um sonho profético sobre ele como Azor Ahai, o que ser Azor Ahai tem a ver com matar selvagens, Ygritte e Robb?

Portanto, fica a conclusão de que Jon é, sim, um candidato a Azor Ahai, mas um candidato fraco. Principalmente se comparado a que vem a seguir:

Daenerys Targaryen

Daenerys, entre todos os personagens citados, é a única que cumpre todos os requisitos da profecia para ser o Azor Ahai. Vamos citá-los e analisá-los:

1- Renascer entre fumaça e sal quando a estrela vermelha sangra

Bem, foi mencionado anteriormente que, tanto Aemon, quanto Rhaegar Targaryen, acreditavam que a estrela vermelha fosse um cometa. Esse cometa que foi mencionado primeiramente no livro 1 e depois em praticamente todo o livro 2. Apareceu pouco antes de Daenerys entrar na pira funerária na qual ela queimou Drogo, seu cavalo, a maegi e seus ovos de dragão.

“Jhogo a viu primeiro.
– Ali – disse ele numa voz abafada. Dany olhou e a viu, baixa, no leste. A primeira estrela era um cometa que ardia, vermelho. Vermelho de sangue; vermelho de fogo; a cauda do dragão. Não poderia ter pedido um sinal mais forte.”
(‘A Guerra dos Tronos’, pov Daenerys)

Ela então entra na pira funerária em chamas, acredito que eu não precise explicar a parte da fumaça. As lágrimas de Daenerys, de Mirri Mazz Durr sendo queimada e dos dothraki e Jorah vendo ela entrar nas chamas podem representar o sal, mas o sal poderia também simbolicamente representar o mar. Melisandre havia afirmado que o Azor Ahai nasceria no mar:

“– Quantos garotos vivem em Westeros? Quantas garotas? Quantos homens, quantas mulheres? A escuridão vai devorá-los todos, diz ela. A noite que não tem fim. Fala de profecias… um herói renascido no mar, dragões vivos chocados a partir de pedra morta… ” (‘A Tormenta de Espadas’, pov Davos)

Bem, a pira funerária foi feita no mar dothraki, portanto, Daenerys pode ter cumprido de forma simbólica essa profecia. Ela, portanto, renasceu entre fumaça e sal quando o cometa vermelho estava no céu. Querem uma forma mais clara de cumprir a profecia do que essa?

Vale lembrar que Daenerys nos é apresentada cumprindo a profecia desde antes de nós sabermos da existência de tal. Ela cumpre de forma orgânica e sem parecer forçada. Exatamente como um bom escritor, como o Martin, iria querer que ela fosse cumprida.

Lembrando que quando tudo isso ocorreu o verão mais longo já registrado tinha acabado de chegar ao fim e os Outros tinham voltado a atividade depois de anos desde o primeiro livro. Portanto, Daenerys também se encaixa nessa característica.

2- Acordar os dragões de pedra

Bem, acho que essa dispensa explicações. Daenerys LITERALMENTE acordou dragões de pedra. Ela literalmente colocou ovos que haviam sido transformados em pedras pelos anos, para serem chocados na pira, e disso os dragões nasceram.

“– Ovos de dragão, vindos das Terras das Sombras para lá de Asshai – disse Magíster Illyrio. – As eras os transformaram em pedra, mas ainda possuem uma beleza ardente e brilhante.” (‘A Guerra dos Tronos’, pov Daenerys)

3- Vir da descendência de Aerys II e Rhaella Targaryen

Dispensa explicações. Daenerys é filha deles.

4- Empunhar uma espada chamada Luminífera

Existem teorias que apontam que a Luminífera poderia ser um símbolo para os dragões – afinal de conta eles foram tirados do fogo da pira funerária e tem um grande potencial de combater a escuridão. Não sei se gosto muito dessa teoria, no entanto. Apesar de haver uma base para ela nos livros quando os dragões são referidos como uma espada flamejante.

“Quando seus dragões eram pequenos, eram uma maravilha. Crescidos, são morte e devastação, uma espada flamejante sobre o mundo.” (‘A Dança dos Dragões’, pov Daenerys)

Também existe a teoria de que a Luminífera seria a espada Alvorada, da casa Dayne. Porém isso é assunto para outro momento. De qualquer forma, nenhum personagem que se encaixa nas características de Azor Ahai empunha a Luminífera até o momento caso ela seja uma espada literal, portanto isso não pode ser um fator contra Daenerys. Veremos nos próximos livros o que será feito desse assunto.

5- Fazer um novo mundo

Benerro nos diz que Azor Ahai faria um novo mundo. Daenerys já fez mudanças drásticas na configuração política e social de Essos que afetam não apenas as cidades que conquistou mas também o restante do continente: o Templo Vermelho de R’hllor por exemplo reconhece Daenerys como Azor Ahai e passa a convocar as massas para se juntarem a ela, perturbando os governantes da cidade. A chegada de Daenerys a Westeros provavelmente levará grandes mudanças ao continente também.

“Mas se a Daenerys cumpre tudo assim, ela não seria muito óbvia? Martin não seria tão óbvio!”

Para começar, não há necessidade nenhuma de que o Azor Ahai seja um mistério guardado a sete chaves até o final. Nós estamos falando de uma saga de 7 livros, que já tem 5 publicados. É esperado que essa informação seja revelada e desenvolvida ao longo dos livros de forma coerente, e não que seja uma total bagunça forçada e incoerente no final. Aliás, embora Daenerys seja óbvia, ela o seria por coerência com a obra e por ter cumprido as profecias. Diferente do Jon que o seria de forma forçada e pouco desenvolvida, e seria apenas por ser exatamente o arquétipo messiânico que o Martin não quer na sua obra. Daenerys quebra esse arquétipo completamente: quebra por ser mulher, quebra por não saber segurar um espada (esse argumento inclusive é muito usado para tentar contrariar a ideia dela como Azor Ahai, mas eu vejo de forma contrária. Esse é um fator a favor dela por quebrar o arquétipo de que todo herói tem que necessariamente ser habilidoso com alguma arma ou ter grandes habilidades de luta), quebra por não ter conhecido da ameaça dos Outros até o momento e nem da luta que precisará enfrentar, quebra por, apesar de ser até o momento uma pessoa evidentemente boa e justa, ter traços da personalidade que as vezes a colocam com maus olhos diante dos outros (como a crucificação dos Mestres de Meereen, que fizeram inúmeros leitores a considerarem cruel e acreditarem que ela herdou a loucura Targaryen) e quebra por não ter, desde o início, o altruísmo e o bem da humanidade como grandes objetivos da sua jornada. Seu objetivo bem claro é tomar de volta o que é seu (e não tá errada). Aliás, apesar da profecia obviamente apontar para ela, não está assim tão óbvio porque Martin já implantou o Jon como pista falsa de um modo muito bem sucedido: embora nenhuma parte da profecia (além de vir da descendência de Aerys II e Rhaella) seja cumprida por ele, muitos acham que ele é o Azor Ahai simplesmente pelo arquétipo messiânico que ele apresenta. Portanto, ele pode perfeitamente ser a pista falsa descartada no final sem fazer com que a obra fique incoerente. Diferente da Daenerys.

Por esses motivos, eu acho mais provável que o Jon seja a pista falsa do que a Daenerys. Por motivos de coerência. Acredito que o Martin já levou essa história longe demais ao longo dos 5 livros para, no final, Daenerys simplesmente ser a pista falsa e Jon o Azor Ahai verdadeiro. Seria incoerente pelo simples fato de Daenerys cumprir toda a profecia de forma orgânica e coerente desde o início enquanto o Jon Snow não cumpre nada e seus fãs acreditam que ele é o Azor Ahai simplesmente por um arquétipo que é justamente algo que Martin não gosta e sempre quis quebrar na sua obra.

Um exemplo de como o Martin foi longe com essa história da Daenerys ser o Azor Ahai e que é justamente o que me faz pensar que isso não é uma pista falsa, é que ele faz com que Samwell Tarly e Meistre Aemon parassem em Braavos, e dedica capítulos inteiros a expedição deles, com um único objetivo: fazer Aemon saber que os dragões tinham voltado ao mundo por Daenerys e, com isso, fazer ele concluir que ela era a Princesa Prometida, revelar que a fluidez da língua permitia que a profecia se referisse também a uma mulher e concluir a teoria já anteriormente apresentada de que a volta dos dragões estaria relacionada com o Azor Ahai. Seria coerente que ele fizesse tudo isso para no final ser completamente inútil e se tratar apenas de uma falsa pista? Confio o suficiente na capacidade do Martin como escritor para não acreditar nisso.

“— Ninguém nunca pensou em uma garota, — disse ele. — Foi um príncipe que nos prometeram, não uma princesa. Rhaegar, eu pensei… a fumaça era do fogo que devorou Solarestival no dia de seu nascimento, o sal das lágrima derramadas por aqueles que morreram. Ele compartilhou minha crença quando era jovem, porém depois ele se convenceu de que a profecia se cumpriria em seu filho, pois um cometa foi visto sobre Porto Real no dia do nascimento de Aegon, e Raeghar estava seguro de que a estrela sangrenta havia de ser um cometa. Quão estúpidos fomos! Nos achávamos tão sábios. O erro veio da tradução. Os dragões não são machos nem fêmeas. Eles são agora um e agora o outro, tão mutáveis como as chamas. A linguagem nos enganou por mil anos. Daenerys é a enviada, nascida entre sal e fumaça. Os dragões provaram isto. — Falar de sua família parecia torná-lo mais forte. — Tenho que ir vê-la. Eu devo. Gostaria de ser dez anos mais jovem.” (‘O Festim dos Corvos’, pov Samwell Tarly)

“— Você tem que convencê-los Sam, — disse-lhe. — Aos arquimeistres. Tem que fazer com que entendam. Os homens que viveram na Cidadela enquanto eu estava lá já estão mortos há 50 anos. Estes de agora não me conhecem. Minhas cartas… Em Vilavelha, devem ter lido como delírios de um homem velho, cuja inteligência fugiu. Você tem que convencê-los, Sam, porque eu não posso. Diga-lhes, como é depois da muralha, como são as criaturas, os caminhantes brancos, o frio querasteja.
— Eu vou, — Sam prometeu. — Vou juntar a minha voz à sua, meistre. Nós dois vamos dizer a eles, nós dois juntos.
— Não! Respondeu o velho. Tem que ser você. Diga a eles. A profecia… O sonho do meu irmão… Melisandre interpretou mal os sinais. Stannis… Stannis tem um pouco do sangue de dragão. Seus irmãos fizeram o mesmo. Rhaelle, a filha de Egg… mãe de seu pai… ela costumava me chamar de tio meistre quando era apenas uma garotinha. Lembrei-me que, assimque me permiti ter esperança… talvez eu quisesse… todos nós nos enganamos, quando queríamos acreditar em algo. Melisandre foi a que mais se enganou, esta é a espada errada, ela tem que saber… luz sem calor… um glamour vazio, esta é a espada errada, a luz falsa só pode nos aprofundar ainda mais na escuridão. Sam, Daenerys é a nossa esperança. Diga a todos na Cidadela. Faça-os ouvir. Eles devem a enviar um meistre. Daenerys deve ser aconselhada, ensinada, protegida. Por todos esses anos que se passaram eu fiquei esperando, assistindo, e agora que o tempo chegou, eu estou velho demais. Eu estou morrendo, Sam. — Lágrimas escorreram de seus olhos cegos e brancos. — A morte não deveria assustar a um homem de minha idade, mas tenho medo. Que estupidez, não? Se é sempre tão escuro onde eu estou, por que tenho medo da escuridão? No entanto, eu não posso ajudar, mas me pergunto o que vai acontercer quando o último calor deixar o meu corpo. Será sempre festa no salão dourado do Pai, como diz o septão? Vou falar com Egg novamente, encontrar Dareon inteiro e feliz, ouvir minhas irmãs cantando para seus filhos? E se for verdade o que diz os senhores dos cavalos? Será que passearei pelo céu noturno, eternamente, montado em um garanhão feito de chamas? Ou terei que voltar a este vale de lágrimas? Quem pode dizer, realmente? Quem já atravessou de volta a parede da morte? Apenas as criaturas, e nós sabemos como elas são! Nós sabemos.”
(‘O Festim dos Corvos’, pov Samwell Tarly)


Agradecemos ao pessoal da página do facebook Serpentes da Areia e, claro, ao Matheus Marques, pela teoria e por permitir sua republicação aqui.

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Mestres do Universo: Salvando Eternia – Parte 1 | Confira os trailers lançados até agora

Produção da Netflix pretende continuar a história dos Guardiões de Eternia a partir do desenho da década de 80.

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Mestres-do-Universo-Salvando-Eternia-Parte-1-Trailers

Nós millennials, também conhecidos como cringe (wtf?), estamos em polvorosa com o retorno dos Guardiões de Eternia desde as primeiras notícias do retorno dos Mestres do Universo.

Mais de 35 anos depois do término da série original, Mestres do Universo: Salvando Eternia traz de volta os icônicos guerreiros He-Man, Pacato, Gorpo e Mentor. Juntos, os guardiões do Castelo de Grayskull seguem na luta contra Esqueleto, Maligna, Homem-Fera e as temíveis legiões da Montanha da Serpente. Durante uma dessas batalhas mortais, o reino acaba fraturado para sempre. Agora, cabe a Teela solucionar o mistério da Espada do Poder e resgatá-la para impedir que o Universo chegue ao fim. Na corrida contra o tempo, a filha biológica da Feiticeira vai finalmente descobrir os segredos de Grayskull.

++Leia Mais:
– Sombra e Ossos | Uma boa pedida para quem gosta de fantasia
– ‘Liga da Justiça de Zack Snyder’ apresenta o caminho que o DCEU deveria seguir!

Abaixo trazemos todos os trailers do desenho lançados até o momento:

Trailer 1 (Confira clicando aqui ou abaixo)

Trailer 2 (Confira clicando aqui ou abaixo)

Mestres do Universo: Salvando Eternia chega com sua primeira parte à Netflix em 23 de julho (AQUI).


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Sombra e Ossos | Uma boa pedida para quem gosta de fantasia

Série apresenta um novo mundo mágico com vários elementos interessantes, apesar de alguns clichês narrativos.

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Sombra e Ossos, nova série original Netflix, baseada nos livros best-sellerers de Leigh Bardugo, estreia amanhã, dia 23/04, e nós trazemos para vocês a nossa crítica com um pequeno guia geral, para que não se sintam perdidos nos primeiros episódios.

Sombra-e-Ossos-Poster

Sinopse
Baseada na série de best-sellers de Leigh Bardugo sobre o universo Grisha, Sombra e Ossos acontece em um mundo destruído pela guerra, onde a órfã e soldado Alina Starkov acaba de descobrir um poder extraordinário que pode ser a chave para libertar o país. Com a ameaça monstruosa da Dobra das Sombras à espreita, Alina é separada de tudo o que conhece para treinar e fazer parte de um exército de elite de soldados mágicos conhecidos como Grisha. Enquanto aprende a controlar seus poderes, ela descobre que os aliados e inimigos não são tão diferentes assim e que nada nesse mundo é o que parece. Além de tudo isso, existem forças malignas em jogo, incluindo um grupo de criminosos muito carismáticos, e só a magia não será suficiente para sobreviver. Sombra e Ossos é uma produção da Netflix e da 21 Laps Entertainment, estrelada por Jessie Mei Li (Alina Starkov), Archie Renaux (Malyen Oretsev), Freddy Carter (Kaz Brekker), Amita Suman (Inej), Kit Young (Jesper Fahey) e Ben Barnes (General Kirigan).


A série Sombra e Ossos se baseia no primeiro livro da trilogia que dá início ao, assim conhecido, Grishaverso. A trilogia original é composta por: Sombra e Ossos, Sol e Tormenta e Ruína e Ascenção.

A órfã Alina Starkov, Jessie Mei Li, é uma jovem cartógrafa do Primeiro Exército de Ravka e, assim como vários outros concidadãos, é parte da luta contra a Dobra das Sombras, uma imensa muralha de sombras repleta de monstros. Em uma viagem através da Dobra, Alina se vê ao lado de seu amigo de infância, o também membro do exército, Malyen Oretsev, Archie Renaux, sendo atacada por uma criatura das sombras e se mostra capaz de algo que, para muitos, era impossível: Conjurar o Sol.

Para os mais atentos aos mais variados conteúdos da cultura pop, a narrativa de Sangue e Ossos apresenta vários elementos similares a diversas outras obras.

O universo de Sangue e Ossos é composto por pessoas normais, como eu e você, e por Grishas. Os Grishas fazem parte da elite mágica de Ravka e são os Soldados do Segundo Exército. Eles praticam aquilo que eles chamam de Pequena Ciência, que consiste em manipular a matéria em seus níveis mais fundamentais, como uma versão mágica da química molecular.

Qualquer semelhança com os dobradores de elementos da animação Avatar é mera coincidência. Ou não?

Para não se perder ao assistir a série

A Ordem Grisha é formada por três grupos distintos: Corporalki, Etherealki e Materialki. Cada grupo, por sua vez, é ramificado em grupos de manipuladores diferentes.

Os Corporalki, a Ordem dos Vivos e dos Mortos, são os soldados de mais alta patente no Segundo Exército e é composta por dois tipos distintos de Grishas: Os Sangradores são capazes de fazer com que seus inimigos fiquem impossibilitados de lutar, tirando o ar de seus pulmões e alterando o ritmo de seu coração, sem nem ao menos encostar neles. Sangradores também são capazes de manipular/causar emoções nas pessoas; Os Curandeiros são especializados em curar ferimentos – quer sejam eles causados por um Sangrador ou não.

Os Etherealki, a Ordem dos Conjuradores, é formada por três tipos de Grishas: Os Aeros são capazes de manipular a pressão do ar para criar tempestades; Os Infernais convocam gases combustíveis para manipular o fogo; Por sua vez, os Hidros se aproveitam das condições de temperatura e pressão para comandar a água.

Os Materialki, a Ordem dos Fabricadores, são o mais próximos do que conhecemos como cientistas. Os Alquimistas criam venenos e explosivos. Durastes se especializam no famoso aço Grisha e são os responsáveis pela criação das armaduras utilizadas pelos soldados de elite. Apesar de sua importância, muitas vezes os Materialki não são tão prestigiados quanto as outras ordens.

A protagonista Alina Starkov descobre, tardiamente, ser uma conjuradora, portanto uma Grisha. Mas não apenas uma conjuradora de um elemento qualquer, ela é uma Conjuradora do Sol. Portanto, a única possivelmente capaz de destruir a Dobra.

Além das dificuldades normais que Alina já teria em iniciar um treinamento após a idade ideal para tal, ela ainda sofre com o preconceito de vários por ser uma meio-Shu.

Sombra-e-Ossos-Mapa-Ravka

Ravka é o cenário central da narrativa da série. Um reino dividido pela Dobra, a muralha de sombra, que separou um povo e está fazendo com que os lados, anteriormente unidos, passem a se ver como inimigos. O reino de Ravka é baseado na antiga União Soviética, dividida pelo Muro de Berlim.

O continente onde Ravka está inserido é ainda constituído por Fjerda, ao norte, baseado nos países escandinavos, e por Shu Han ao sul, baseado nos países asiáticos.

Ravka é um país que vive em guerra com seus vizinhos, Fjerda e Shu Han. E, com a presença da Dobra das Sombras, o país sofre com a escassez de recursos e armas para suas guerras, uma vez que não tem como fazer comércio com outros países pelo mar sem correr o risco de ter que passar por territórios inimigos ou ter que enfrentar os monstros de sombras ao cruzar a Dobra.

Além disso, Ravka e Fjerda tem visões antagônicas quanto aos Grishas: enquanto em Ravka os Grishas são respeitados pela maioria do povo e têm um lugar importante na elite do exército, em Fjerda eles são perseguidos e mortos. Já em Shu Han os Grishas são alvo de estudos que buscam descobrir a origem dos seus poderes de manipulação e tentar replicá-los em outras pessoas.

Sobre a adaptação Netflix

Apesar de seu confuso início, a série consegue prender a atenção do espectador do início ao fim, mesmo com os vários clichês empregados no roteiro (que vão desde a donzela facilmente apaixonável até o animal usado como alívio cômico). Se você conseguir passar pela bagunça que são os primeiro e segundo episódios, onde simplesmente são jogados na cara do expectador locais distintos e elementos sem nenhuma, ou com pouquíssima, explicação, você provavelmente acompanhará toda a jornada de Alina.

O trabalho de design de produção da série é ótimo. Você realmente sente que esse continente é algo novo e distinto do continente europeu que conhecemos, apesar de as referências estarem ali. O cenário é tanto influenciado pela Europa real quanto por elementos que lembram o steampunk em alguns momentos. Vale ressaltar que o trabalho de efeitos especiais também é bastante competente, o que é de se esperar para uma produção de fantasia.

O corpo de atores trabalha bem os seus personagens, por mais que deixe um desejo de ver melhor desenvolvido alguns enredos particulares. Mas, infelizmente, Ben Barnes segue interpretando a si mesmo, como em vários dos trabalhos que o ator participa, e seu General ‘Darkling’ Kirigan é apenas mais um dos clichês presentes na obra.

Apesar dos pesares, Sombra e Ossos é uma boa série de fantasia, que apresenta elementos fantásticos aparentemente já explorados em outras obras, mas com uma linguagem e ambientação muito particular.

Os livros do Grishaverso

A série de livros do Grishaverso é composta pela trilogia original: Sombra e Ossos, Sol e Tormenta e Ruína e Ascenção e seguida pela duologia Six of Crows: Sangue e Mentiras e Crooked Kingdom: Vingança e Redenção.

Os dois últimos livros lançados do Grishaverso, King of Scars e Rule of Wolves, ainda não tem versões em português.


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Falcão e o Soldado Invernal [S01E01] | Bem-vindo ao novo mundo do UCM!

Sam Wilson (Anthony Mackie) e Bucky Barnes (Sebastian Stan) ganham a sua série no Disney+!

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Divulgação: Disney

Falcão e o Soldado Invernal (2021), a mais nova série do Marvel Studios acaba de lançar o seu primeiro episódio no Disney+ e nós do Multiversos já conferimos o primeiro episódio. Pode ler tranquilo que não haverá spoilers no texto.

Em um mundo pós-eventos do blip (o famoso estalo de dedos feito com a Manopla do Infinito), com o retorno de milhões de pessoas que desapareceram cinco anos atrás (ver Vingadores: Guerra Infinita), Sam Wilson (Anthony Mackie) e James ‘Bucky’ Barnes (Sebastian Stan) precisam lidar tanto com as emergentes ameaças que esse admirável mundo novo segue trazendo como também precisam se reconectar com uma realidade da qual eles sentem-se deslocados e perdidos.

Nesse primeiro episódio, dirigido por Kari Skogland (que assina os seis episódios da série) e escrito por Malcolm Spellman, que também é o showrunner da série, temos, de cara, ação vertiginosa num altíssimo nível, mostrando que as intenções da série são altas e ousadas. O roteiro também tem o cuidado especial de aprofundar as vidas de Sam e Bucky, mostrando suas origens, anseios, traumas e como ambos estão lidando com o mundo atual.

Graças aos excelentes diálogos, esse aprofundamento é coerente e empático, e fisga o espectador. Também não é esquecido que o mundo “pós-blip” encontra-se caótico e cada vez mais perigoso, com claros reflexos às formas que o governo estadunidense lida com seus problemas e símbolos.

A trama deixa claro que os Estados Unidos vivem a perda de Steve Rogers, e que a sombra dele ainda é muito grande sobre esses personagens, com Sam sentido o peso de suas escolha em Vingadores: Ultimato e Bucky cada vez mais deslocado, se apegando a lembranças, sejam elas boas ou más, enquanto ambos buscam laços perdidos como família, redenção e identidade.

É divertido encontrar os easter eggs neste episódio. A série utiliza muito bem a cronologia estabelecida do UCM e faz os acenos certos para os fãs de longa data, tanto dos quadrinhos, quanto dos que são oriundos dos filmes e esses brindes nunca se sobrepõem a trama.

++Leia Mais:
– Relembre a nossa crítica para Wandavison S01E01
– Leia também a nossa análise de Thor Ragnarok

Graças ao trabalho preciso de coreografia, fotografia, edição, som e efeitos visuais, as sequências de ação são fantásticas! A trilha sonora de Henry Jackman, que também compôs para Capitão América e o Soldado Invernal, cria novas composições inspiradas nesse lado do UCM, como também revisita alguns temas conhecidos como, por exemplo, a música-tema do Soldado Invernal. Junto com o trabalho de design de produção, que sabe bem que Sam é um personagem solar e Bucky vive nas sombras, temos contrastes bem construídos em tela.

Anthony Mackie aumenta o repertório de Sam Wilson mostrando-o como uma cara familiar e gente boa em qualquer cenário. Sebastian Stan carrega pesado no semblante deslocado que Bucky possui. Fica claro no rosto dele como o personagem não está à vontade nesse novo mundo, mas que tenta com todas as forças se adaptar à ele.

Falcão e o Soldado Invernal já deixa claro que é a continuação direta, e principalmente, emocional de Capitão América e o Soldado Invernal e, mais uma vez, o Marvel Studios acertou em criar uma obra sensacional, que dialoga com o hoje e com o seu universo.

O mundo mudou e precisamos de novos heróis. Eles acabaram de chegar.


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‘O Legado de Júpiter’ tem primeiras imagens reveladas!

Das HQs de Frank Quitely para as telas dos streaming! Mais uma série de heróis chegando em março na Netflix.

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O novo trailer mostra os esboços de Frank Quitely em transformações para revelar as primeiras imagens oficiais de O Legado de Júpiter.

No vídeo, o vilão mais temido desta temporada, Blackstar, ganha vida. Também é apresentado Hutch (Ian Quinlan), filho de um dos maiores supervilões do mundo, e Chloe Sampson (Elena Kampouris), herdeira dos maiores super-heróis. Conheça ainda Sheldon Sampson (Josh Duhamel) em 1929 e seu filho, Brandon Sampson (Andrew Horton). Por fim temos a primeira geração de super-heróis é revelada: Lady Liberty/Grace Sampson (Leslie Bibb), The Utopian/Sheldon Sampson (Duhamel) e Brainwave/Walter Sampson (Ben Daniels).

A Netflix sugere aos fãs do quadrinho O Legado de Júpiter deem um replay no vídeo para tentarem encontrar elementos escondidos nas cenas.

++Leia Mais:
– O Legado de Júpiter | Primeiro teaser da série é lançado e apresenta data para estreia
– Superman | Ótimas notícias na família Super e um REBOOT na telona a caminho!

Sobre O Legado de Júpiter:


Depois de quase um século mantendo a humanidade segura, a primeira geração de super-heróis do mundo deve confiar nos seus filhos para continuar o legado. Mas as tensões aumentam à medida que os jovens super-heróis, famintos por provar seu valor, lutam para viver de acordo com a lendária reputação pública de seus pais – e exigentes padrões pessoais. A série é estrelada por Josh Duhamel, Leslie Bibb, Ben Daniels, Elena Kampouris, Andrew Horton, Mike Wade e Matt Lanter.

Produtores executivos são Mark Millar, Frank Quitely, Lorenzo Di Bonaventura, Dan McDermott, Steven S. DeKnight, James Middleton e Sang Kyu Kim.

O Legado de Júpiter, está com estreia prevista para sexta-feira, dia 7 de maio na plataforma da Netflix. A temporada inicial conta com oito episódios.

As HQs de O Legado de Júpiter foram lançadas no Brasil pela Panini e você pode adquirir as suas AQUI.


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O Legado de Júpiter | Primeiro teaser da série é lançado e apresenta data para estreia

A nova série da Netflix se baseia nas HQs de mesmo nome criadas pela dupla de quadrinhistas Mark Millar e Frank Quitely

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O Legado de Júpiter está ganhando uma série na Netflix e o seu primeiro teaser já foi lançado.

Mais uma adaptação de quadrinho acaba ganhando as telas. Dessa vez o Millarworld vem para as telinhas dos streamings com O Legado de Júpiter, obra original de Mark Millar e Frank Quitely.

Sinopse
“Depois de quase um século mantendo a humanidade segura, a primeira geração de super-heróis do mundo deve confiar nos seus filhos para continuar o legado. Mas as tensões aumentam à medida que os jovens super-heróis, famintos por provar seu valor, lutam para viver de acordo com a lendária reputação pública de seus pais – e exigentes padrões pessoais.”

++Leia Mais:
Mortal Kombat | Confira o primeiro trailer legendado
O Superman e o Batman clássicos do cinema estão voltando!

A HQ apresenta os filhos dos maiores super-heróis da história mundial vivendo sob o peso do nome e dos altos padrões anteriormente estabelecidos por seus pais.

O elenco conta com nomes de Josh Duhamel, Leslie Bibb, Ben Daniels, Elena Kampouris, Andrew Horton, Mike Wade e Matt Lanter.

O Legado de Júpiter terá oito episódios e tem estreia prevista para 7 de maio.

As HQs de O Legado de Júpiter foram lançadas no Brasil pela Panini e você pode adquirir as suas AQUI.


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Cidade Invisível – 1ª Temporada | O nosso folclore chega às séries da Netflix

O nosso rico folclore brasileiro chega às telas numa trama de mistério e suspense na nova série nacional da Netflix: Cidade Invis?Dvel

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Divulgação: Netflix

Hoje o tempo é curto e a grande disponibilidade de opções de séries e filmes exigem que uma obra fisgue o seu espectador de forma certeira o mais rápido possível. Felizmente, Cidade Invisível, da Netflix, faz isso muito bem.

Criada por Carlos Saldanha (de A Era do Gelo), com ideia geral de Raphael Draccon (Dragões de Éter) e Carolina Munhoz (O Inverno das Fadas), e com direção geral de Luís Carone, a série conta a história de Eric (Marco Pigossi), um agente ambiental federal que, ao sofrer uma grande perda, acaba descobrindo que uma comunidade ribeirinha tem mais coisas dentro de suas terras do que ele imaginava.

O time de roteiristas formado por Mirna Nogueria (Ep 01), Rodrigo Batista (Ep 02), Ludmila Naves (Ep 03), Antônio Arruda e Regina Negrini (Eps 04 e 05), Felipe Sant’Angelo (Ep 06) e Marco Borges (Ep 07), junto com a direção de Luís Carone (Eps 01-03 e 07) e Julia Jordão (Ep 04-06), constroem uma narrativa coesa, dosando bem mistério e construção de personagens. Junto com isso há o trabalho respeitoso e bem adaptado dos elementos do folclore brasileiro dentro da trama.

++Leia Mais:
– Relembre a nossa crítica de Os Defensores da Netflix
– Leia também a nossa análise de O Diabo de Cada Dia

A escolha por contar essa história no Rio de Janeiro funciona muito bem, graças ao fato da cidade ainda possuir diversos cenários naturais que vão da modernidade ao rústico facilmente. Os diálogos se beneficiam quando ficam mais soltos e naturais, mas várias vezes soam didáticos e até previsíveis. Tanto a fotografia quanto trilha sonora fogem da vibe “série de TV” e dão um excelente valor de produção cinematográfico à obra, mas se mantendo no campo seguro, sem ousadias, e os episódios tendo entre 35-40 minutos de duração possuem um bom ritmo, graças ao bom trabalho de edição. Os efeitos visuais são competentes e alguns conseguem impressionar.

Marco Pigossi (Eric) tem o perfil, carisma e talento que um bom protagonista precisa. O elenco de coadjuvantes é competente e agradável, em especial José Dumont (Ciço), Alessandra Negrini (Inês) e Fábio Lago (Iberê). Os destaques ficam para o sempre irreverente Wesley Guimarães (Isac) e a magnética Jessica Córes (Camila).

A primeira temporada de Cidade Invisível da Netflix é um excelente entretenimento. Mesmo com uma formato “Para Exportação”, a série acerta em apostar no realismo fantástico, e sua boa construção e execução garantem um bom divertimento. As pontas soltas e deixas estão lá para garantir uma segunda temporada, que fico na torcida que não demore para chegar.


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WandaVision | Quarteto Fantástico pode ter sido referenciado e você nem notou

Uma diálogo simples de WandaVision pode ter dado uma dica quanto às origens do Quarteto Fantástico do MCU no episódio 4 da série.

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Quarteto-Fantástico-Fantastic-Four-capa

Será que a Marvel pode ter introduzido, na surdina, a sua Primeira Família ao MCU com uma simples referência em WandaVision?

Uma teoria sugere que o episódio 4 de WandaVision pode ter dado pistas quanto às origens do Quarteto Fantástico, de acordo com o site Den of Geek.

Os primeiros cinco minutos do quarto episódio de WandaVision fazem referência a um ‘Programa de Treinamento de Astronautas’ que, de maneira brilhante, está falhando em decolar. Como disse o diretor em exercício do E.S.P.A.D.A., Tyler Hayward, eles “perderam metade de [seu] pessoal no Blip e metade dos restantes perderam a coragem”.

Como isso se encaixa no Quarteto Fantástico? As origens do Quarteto estão intimamente ligadas a Programas Espaciais. Nas HQs, eles são astronautas que fizeram a sua incursão no espaço em um voo não autorizado e acabaram por ser expostos à radiação cósmica. Assim, como acontece com a maioria dos acidentes baseados em radiação no universo da Marvel, quatro novos super-heróis – Senhor Fantástico, Mulher Invisível, Tocha Humana e o Coisa – nasceram.

++Leia Mais:
– Principais notícias do Marvel Studios no Dia do Investidor da Disney
– Pantera Negra | Diretor do longa assina contrato para série sobre Wakanda

Claro, pode não ser nada – mas a Marvel tem em seu histórico o hábito de soltar pistas para projetos futuros com antecedência. Afinal, tudo, desde Doutor Estranho à nação natal dos Panteras Negras, Wakanda, foi apresentado de alguma forma anos antes de finalmente se tornar realidade na tela grande. Vale ressaltar que esta é a primeira menção importante quanto a astronautas desde que a Disney conquistou os direitos do Quarteto Fantástico em sua fusão com a Fox, o que certamente já é marcante por si só.

Só recentemente a Marvel confirmou oficialmente que um filme do Quarteto Fantástico está à caminho, então ainda levará algum tempo antes de vermos se isso foi uma provocação deliberada ou um erro completo. Ainda assim, a frase atende a um dos objetivos da série que é de fazer com que o público observe e questione até mesmo as menores linhas de diálogo. Pode não ser nada; pode ser tudo – mas isso já é parte da diversão.

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Séries | TV

Pantera Negra | Diretor do longa assina contrato para série sobre Wakanda

Ryan Coogler, diretor de Pantera Negra, assinou contrato de 5 anos com o Disney+ para desenvolver uma série sobre o Reino de Wakanda.

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O diretor do longa Pantera Negra, Ryan Coogler, desenvolverá uma série para o Disney+ sobre Wakanda.

A The Walt Disney Company pretende estreitar os laços com o diretor e co-roteirista de Pantera Negra, Ryan Coogler. De acordo com o site Deadline, a Disney fechou um acordo geral de cinco anos com a Proximity Media, empresa de Coogler que ele dirige com os diretores Zinzi Coogler, Sev Ohanian, Ludwig Göransson, Archie Davis e Peter Nicks.

De acordo com o site, Coogler, que já está trabalhando na sequência do longa de Pantera Negra, que ele dirigirá ainda este ano, desenvolverá em seguida uma nova série para o estúdio.

A série será um drama baseado no Reino de Wakanda e será distribuída no Disney+.

Ainda de acordo com o Deadline, a negociação feita também permite que a Proximity Media desenvolva outros trabalhos para outras divisões da Companhia.

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“Ryan Coogler é um contador de histórias singular, cuja visão e alcance o tornaram um dos cineastas de destaque de sua geração”, disse Bob Iger, presidente executivo da The Walt Disney Company. “Com Pantera Negra, Ryan trouxe uma história inovadora e personagens icônicos à vida de uma forma real, significativa e memorável, criando um momento cultural divisor de águas. Estamos entusiasmados em fortalecer nosso relacionamento e ansiosos para contar mais ótimas histórias com Ryan e sua equipe.”

“É uma honra fazer parceria com a The Walt Disney Company”, disse Coogler. “Trabalhar com eles em Pantera Negra foi um sonho que se tornou realidade. Como ávidos consumidores de televisão, não poderíamos estar mais felizes de lançar nosso negócio para a televisão com Bob Iger, Dana Walden e todos os estúdios incríveis sob o guarda-chuva da Disney. Estamos ansiosos para aprender, crescer e construir um relacionamento com públicos em todo o mundo por meio das plataformas Disney. Estamos especialmente entusiasmados por darmos nosso primeiro salto com Kevin Feige, Louis D’Esposito, Victoria Alonso e seus parceiros no Marvel Studios, onde estaremos trabalhando de perto com eles em programas do MCU selecionados para Disney+. Já estamos participando de alguns projetos que mal podemos esperar para compartilhar”, afirmou Ryan Coogler em nome da Proximity Media.

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Pantera Negra arrecadou US $ 1,3 bilhão globalmente e se tornou o primeiro filme de super-herói a receber uma indicação ao Oscar de Melhor Filme. O protagonista do longa, Chadwick Boseman, morreu no ano passado, e Coogler e a Disney estão trabalhando em uma sequência que não venha a escalar outro ator para o papel.


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