1991. A Sega havia lançado no Japão o seu console de poderosos 16 bits há quase três anos. Durante todo os anos 1980, o mercado caseiro foi dominado pela empresa concorrente e seu encanador que come cogumelos nos sistemas de 8 bits. Alex Kidd e o Master System não foram páreo para a Nintendo e seu Mario e, até agora, o Mega Drive não tinha um mascote. Até que a Sega criou o Sonic. Um porco espinho azul super veloz e que veio com a missão de ser “a cara” da Sega. 29 anos se passaram e o Sonic hoje é uma das maiores marcas do mercado.
Vendo em retrospecto, é até estranho ver o quanto um filme do personagem demorou tanto para sair. Mas, olhando o histórico das adaptações de jogos de videogame, que possui muito mais baixos do que altos, a maior missão era criar o projeto certo para tela grande.
No meio de 2019 saiu o primeiro trailer. Ninguém gostou do primeiro design do personagem, o que gerou um atraso do lançamento de novembro de 2019 para fevereiro de 2020, a fim de revisar completamente o visual do Sonic. Quando saiu o segundo trailer, foi notório ver a mudança e o quanto o personagem ficou bastante fiel à sua versão original.
A partir daí veio a dúvida do público: o filme do Sonic é bom?
Sim. Ele é muito bom!
O diretor Jeff Fowler, ao lado dos escritores Patrick Casey e Josh Miller, criaram uma aventura simples e direta. Sonic (Ben Schwartz) veio ao nosso mundo ainda criança e está crescendo sozinho e se escondendo da população de Green Hill. Ele espia as pessoas e gosta muito de um casal, o policial Tom Wachowski (James Marsden) e a veterinária Maddie Wachowski (Tika Sumpter). As coisas se complicam quando o Sonic entra no radar do inescrupuloso cientista do governo americano, o Dr. Robotnik (Jim Carey).
Com essa sinopse, o roteiro é bem conduzido, usando muito bem a estrutura de prólogo-3 atos- epílogo e, assim, mantendo um bom ritmo dentro dos seus 99 minutos de duração. Os diálogos são simples, rápidos e divertidos. A apresentação e desenvolvimento dos principais arcos de história são bem executados e geram uma grande empatia com o expectador. Os fãs dos jogos reconhecem facilmente as estruturas, regras e detalhes trazidos dos jogos e as crianças vão curtir as boas sequências de ação.
Os efeitos visuais são muito bem utilizados. O redesign do Sonic fez todo o sentido e fez muito bem ao filme, porque ajuda a criar um clima leve e divertido pro Sonic e é muito bem aproveitado nas cenas de humor. As cenas de velocidade são muito bem executadas, graças também ao bom trabalho de fotografia do filme, que nunca te deixa confuso sobre a ação da tela. A trilha sonora é eficiente e tá cheia de easter eggs para ouvidos atentos.
Pra minha alegria, assisti a versão legendada e é muito bom ver que o trabalho do Ben Schwartz tá ótimo. O seu Sonic é um jovem hiperativo ao extremo mesclado numa criança que só quer atenção e ser aceito. O trabalho de voz de Ben passa muito bem esses sentimentos e gera muito carisma ao personagem. James Marsden tá completamente a vontade na parceria com o Schwartz e, sim, Jim Carey e seu egomaníaco esnobe e cretino Robotnik é a cereja do bolo. Dá pra ver o Carey se divertindo horrores com a megalomania de seu divertido vilão.
Sonic – O Filme consegue unir o clássico e o novo, agradando muito o público infantil e os fãs old school do Porco Espinho Azul. Tudo isso graças a um roteiro bem estruturado e com diálogos muito bons, personagens carismáticos e cenas de ação bem conduzidas. Uma excelente adaptação dos grandes jogos da SEGA.