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SANA 2026 reúne mais de 100 mil pessoas e fortalece a cultura geek em Fortaleza

Parte 1 do evento mostrou a força da cultura pop, da nostalgia e da inclusão social.

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Este final de semana foi marcado por uma verdadeira explosão de cultura pop, nostalgia, fandoms apaixonados e muita emoção no SANA 2026 – Parte 1, que tomou conta do Centro de Eventos do Ceará e reafirmou, sem exagero, Fortaleza como um dos grandes polos geeks do Brasil. Foram três dias intensos (30 e 31 de janeiro e 1º de fevereiro) em que mais de 100 mil pessoas circularam entre palcos, estandes, arenas de games, concursos de cosplay e encontros que pareciam saídos diretamente de Westeros ou de Kattegat.

O SANA não é apenas um evento, é uma experiência coletiva. Ao atravessar os corredores lotados, era impossível não se sentir em um multiverso vivo: cosplayers impecáveis, famílias inteiras fantasiadas, fãs emocionados encontrando seus ídolos e uma programação que acontecia simultaneamente em vários palcos, atendendo desde o público gamer hardcore até quem vibra com K-pop, dublagem, música, inclusão social e arte independente.

E é curioso perceber como tudo isso começou de forma tão simples.

História do SANA: de encontro de fãs ao maior evento geek do Nordeste

Lá em 2001, o SANA nasceu da iniciativa de um grupo de amigos apaixonados por anime, mangá e cultura japonesa, que se reuniam em Fortaleza para trocar fitas, revistas e conversar sobre as animações exibidas na saudosa TV Manchete. O que era um encontro quase improvisado, com pouco mais de 200 pessoas, cresceu de forma orgânica, impulsionado pelo boca a boca, pela paixão dos fãs e pelo desejo de criar um espaço de pertencimento. Mais de duas décadas depois, aquele embrião se transformou em um dos principais eventos geeks do país — sem perder, curiosamente, essa alma de encontro entre iguais.

A estrutura atual impressiona. Palcos temáticos deram conta de uma agenda frenética com campeonatos de e-sports, apresentações musicais, painéis com dubladores, batalhas de K-pop, workshops e debates sobre diversidade. Soma-se a isso o forte trabalho social: ingresso acessível, ações solidárias e projetos que aproximam o evento de quem, muitas vezes, não teria acesso a esse tipo de vivência cultural.

Aqui cabe uma observação honesta — e necessária — de quem acompanha o SANA não apenas como redator do Multiversos, mas também como fã: Senti falta de mais atrações internacionais, de propostas mais elaboradas e diferentes, como já vimos em outras edições. Por vezes, vemos os eternos profetas do apocalipse com comentários do tipo: “Ah, o SANA está acabando…” ou “O SANA se resumiu a isso e àquilo…”. Mas, sinceramente, essa leitura me parece simplória demais.

Atrações internacionais e momentos marcantes do SANA 2026

Na minha opinião, o SANA continua sendo um espaço multiversal, que vem sendo usado da melhor forma possível em meio às dificuldades financeiras que atingem grande parte do público. Manter um evento desse porte, com preço justo e acessível, não é pouco. Muito pelo contrário. Além disso, há o compromisso social: cada ingresso adquirido também representa um quilo de alimento arrecadado, reforçando que cultura geek e empatia podem — e devem — caminhar juntas.

Um dos aspectos mais bonitos desta edição foi ver pais e filhos caminhando juntos, dividindo filas, palcos e emoções. Pais que apresentaram aos filhos os heróis, músicas e séries que marcaram sua juventude; filhos que puxaram os pais para universos mais novos, cheios de games, streamers e referências contemporâneas. Por algumas horas, celulares foram deixados de lado e a distância que as telas costumam criar deu lugar ao diálogo, ao riso e à troca. Nostalgia e novidade caminharam lado a lado, provando que o SANA também é um ponto de encontro entre gerações.

As atrações musicais ajudaram a costurar esse clima. Dos DJs às bandas ao vivo, passando por tributos ao rock, ao pop e às trilhas que marcaram o cinema e os animes, a música funcionou como trilha sonora desse grande encontro geek. Não era apenas show: era memória afetiva sendo ativada, com o público cantando junto, reconhecendo refrões e criando novos momentos para lembrar no futuro.

E mesmo em meio a esse debate, o evento entregou momentos memoráveis. As atrações internacionais presentes mostraram enorme carisma e respeito pelo público. Jack Gleeson, eternizado como o Rei Joffrey de Game of Thrones, foi extremamente acessível e divertido. Além dele, Clive Standen e Lucy Martin, de Vikings, interagiram com os fãs de forma calorosa, arrancando sorrisos, aplausos e longas filas de fotos.

O ápice emocional veio quando, após a entrevista com o dublador brasileiro Charles Emmanuel, Jack Gleeson subiu ao palco de surpresa. Juntos, eles recriaram a cena icônica do “Eu sou o rei!”, com o ator sendo dublado ao vivo. Um momento arrebatador, que arrancou aplausos, gritos e até lágrimas de quem cresceu — e amadureceu — acompanhado por essas histórias.

O SANA 2026 mostrou que, mesmo enfrentando desafios, segue vivo, pulsante e necessário. Talvez não seja perfeito. Talvez precise ousar mais. Mas continua sendo um lugar onde mundos se cruzam, gerações se encontram e a imaginação segue soberana.
Porque, no fim das contas, todos nós amanhã velhos seremos…
Velhos serão… velhos serão…
A juventude que nunca morrerá.


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